segunda-feira, março 06, 2006

Será que as barragens ...

Já estão cheias?
Com tanta chuva e sem ter “autorização” para refilar (porque sei que a chuva faz muita falta a todos, até a mim) é muito chato.
Será que o Sº Pedro não pode fazer chover só durante a noite? Já sei, … coitados dos Guardas-nocturnos, e das pessoas que andam a divertir-se à noite!

Eu sei que quando chove posso aproveitar para fazer milhentas coisas em casa que não faço nos outros dias, mas sina a minha, quando chove, é exactamente quando me apetece fazer coisas na rua, e não me lembro de fazer nada em casa.

Até quando faço a lista de fim-de-semana, o barulho da chuva me atrapalha e não consigo pensar em nada diferente de “deitar no sofá”, chamar os cães para junto de mim, tapar-me com um cobertor e desejar que os “homens lá de casa” se entretenham todo o dia.
Além da chuva ainda tem que estar frio, vento, … nem um arco-íris para se pensar num desejo. Acho que vou ter que desenhar um

4 comentários:

Anónimo disse...

Foi na sexta-feira que tudo começou.Durante cinco minutos parou para pensar,coisa rara, no que fazer no dia seguinte.As hipoteses eram muitas.Estava sol, fazia calor apesar de ainda estarmos em Março e os homens lá de casa aceitavam qualquer sugestão.Decidiu-se e começou a planear a ida á praia.Metódica como poucas, escreveu tudo o que fazer para tornar a saída num sucesso.Os brinquedos (para o pai e para o filho), os cremes, os livros, as toalhas, a tenda (não fosse o vento acordar), o bloco e a esferográfica estavam no rol. De comer, nem pensar, ele lembrar-se-ia!
Adormeceu cedo no sofá.O filho já dormia, os cães estavam tratados e a prespectiva de um dia de praia tão longamente desejado davam-lhe assunto para bons sonhos.Pelas 3 horas entrou naquele estado de vigilia que permite deslocação sem noção, subiu a escada e esticou-se ao lado do homem lá de casa cujo ruido indiciava preparação profunda para os afazeres do dia seguinte.
Passaram 4 horas em 4 segundos.Como todos os dias,o som do telefone avisava que faltavam 10 minutos para as sete, .Mas este era um dia especial.Seria?que ruido era aquele que se estava sobrepondo ao do telefone?Parecia marcar um compasso, sempre no mesmo ritmo, certinho.Chuva!Meu Deus CHUVA!Não queria acreditar, não podia ser verdade, como podia o mundo ser tão cruel.O homem dela dormia, com uma sapatada calara o telefone e esperava que ela o acordasse de vez.Era-lhe indiferente a chuva, até gostava, e nem se dera conta dos planos idos por água abaixo.
Como podia isto estar a acontecer?Que mal fizera a Deus para merecer este castigo?Cerrou os dentes como era seu hábito, decidida a enfrentar a contrariedade.
S. Pedro tinha poder para estragar um dia de praia, não para estragar o dia.
Leu e releu a lista das tarefas que tinha escrito na tarde anterior e reparou ter-se esquecido de referir o que ia fazer na praia.Refletiu longamente concluindo que afinal queria ir á praia sómente para disfrutar da presença dos homens dela, fora do ambiente habitual, tê-los só para si, sem ferramentas, sem relva, sem arvores, sem garagem, sem Canal História, sem futebol.
Voltou ao aliado bloco, disposta a refazer o dia.Os homens iriam gostar!Nesse dia ficariam em casa mas seria diferente!
Começou a escrever.A caneta corria sobre o papel verde alface deixando uma mancha de caracteres azuis quase irreconheciveis, mas a ânsia era tanta que não conseguia dominar o impeto.Em segundos acabou!
Lá fora o compasso acelerara, o volume sonoro subira, caía água a cântaros
Releu, corrigiu algumas das horas e deu inicio ao dia, como agora planeado.Tinha eliminado da lista as saídas ao centro comercial, o pequeno almoço na pastelaria do costume, a ida a casa dos país, os bonsai, os origami, as colagens, as calças de ganga.
Começou por acordar o seu homem, sim,o seu homem, dava-lhe gozo sentir assim.Mansinho, como sempre,ele abriu os olhos e permaneceu calado.Já dera conta que andava coisa no ar.
Ela levantou-se rápidamente quando ouviu o restolhar do filhote subindo as escadas. Se o dia era para ser diferente teria que começar já!
Os homens brincavam na cama e aproveitou para dedicar a si mesma aqueles 15 minutos de que nunca dispunha defronte do espelho.Continuava bonita, diziam-lhe,mas ela não achava. Os quarenta, feitos há pouco,haviam deixado marcas no rosto, nos olhos. Nada que um tratamento minimo não reparasse. Usou o que havia, alguns fora de prazo, mas creme é creme e no final ficou com um aspecto radiante. Vestiu um lindo vestido preto, sempre lhe ficara bem e não era por ter umas gramas a mais que faria diferença.
Passou apressada pelo quarto deixando nos homens a segunda impressão de que algo não estava bem. O plano estava a resultar, iria surpreendê-los.
Ou quase porque o cheiro que saía da cozinha denunciava os ovos fritos com bacon que prepara.Lá por cima já pensavam em pequeno almoço na cama, mas como era diferente teriam que tomar o pequeno almoço na sala.Gritou estar na hora de levantar e vestir.Apareceram estremunhados, atraidos pelo cheiro do chocolate quente e do café, a testa profundamente enrugada, expressando o insólito da situação.
O pequeno almoço durou uma hora.Parecia aquele hotel onde estiveram fazia anos e onde sonhava voltar um dia.Até o filho ficou sentado á mesa dando opinião sobre tudo o que os pais conversavam.
Foi colocar um CD na velha aparelhagem que teimava não aceitar as ordens do comando, comprado na ultima feira a um cigano enganador.
Os homens lá de casa haviam retirado rápidamente a louça da mesa, enfiado tudo na máquina e permaneciam perfilados aguardando ordens.
Deu-lhe gozo.
Sentou-se no sofá,arrumou os comandos da televisão sem a acender o que acendeu ainda mais a curiosidade dos homens.
Como que por magia apareceu um baralho de cartas acompanhado do convite para um jogo. Houve risos, batotas mais ou menos conseguidas e duas horas de franco divertimento.
Era chegada a hora de pensar no almoço. Quebrar a rotina não significa jejum e ela sabia que os seus homens eram de alimento.
Japonês tinha sido a opção.Lá foram, não muito convencidos mas curiosos, até Cascais.A chuva batia no vidro do carro que, como habitualmente, ele conduzia. Quebar mas não abusar!
A conversa estava agradável, falava-se das próximas férias, discutia-se o orçamento e falaram sobre os dinheiros de um e do outro, tema quase sempre ausente.
As disponibilidades eram poucas mas mesmo assim decidiram ir para fora, no Verão.
Surpreendidos os homens viram-na dirigir-se a um restaurante Japonês com nome portugûes que, diga-se,não é boa carta de apresentação mas, surpresa das surpresas, foi um almoço divinal. Sentados no chão, ela mudara de roupa antes de sair de casa, sabia ao que ia, comeram um peixe cortado muito fino, cru, umas algas com um intenso sabor empurradas com delicioso chá verde. Mas eram horas, já estavam atrasados para o concerto, havia que rumar rápidamente a Lisboa para a sessão das 5 que só ela sabia ser especial para miudos e graúdos.
Uma hora de delirio para o pequeno enquanto os grandes, de mão dada, se deixaram levar para aquele sitio para onde só a musica nos leva, e sonharam, sonharam.
Voltar a casa seria o passo seguinte.Mas estaria incompleto o dia se não houvesse uma passagem por Belém.Como a Torre estaria fechada então a alternativa seriam os pasteis. Lá foram.
O jantar, esse, ficou para outro dia. Regressaram eram 9 horas. O pequeno dormia, foi fácil deitar.
Ela decidiu sentar-se no sofá esperando para ver. O homem dela havia ido tratar dos cães, o filhote descansava, a televisão permanecia apagada e ela voltou a parar para pensar.Que iria ele fazer quando voltasse? Era algo que não tinha planeado.
Sentar-se-ia junto a ela trocando caricias ou acenderia a televisão?Que falha!Dependia agora da vontade dele quando durante todo o dia havia ela dirigido as vontades.Que falha!Foi subitamente interrompida pela entrada subita do se homem que fugia á chuva incessante.Ele entrou ofegante, sacudiu as madeixas brancas de que tanto ela gosta, dirigiu-se á velha aparelhagem que comandou como só ele sabe e foi sentar-se ao pé dela.
Ela procorou avidamente o bloco e a esferográfica, queria ainda poder escrever o que ia passar-se a seguir, mas não teve tempo.

dina disse...

muita decisão para uma mulher só e além disso, demasiado poder de decisão, mas teria sido bom

Zé Maria das Couves disse...

E será que tu ainda te lembras da cadela que mataste à fome????
Eu avivo-te a memória!
Vai lá ver no meu blog, ó tinhosa!

Formiguinha disse...

Devia chover só nas barragens e nos locais com vegetação :p